24.10.07

Pensamento para não perder a esperança...

O PENSAMENTO


"Alguns nascem póstumos" - Nietzsche

... eis o supra-sumo do pensamento positivo, a esperança de que algum dia, em algum lugar, alguém entenderá o incompreendido. O reconhecimento post mortem, como para o próprio Nietzsche, para Van Gogh, entre outros (Tony da Gatorra será o próximo!) Só lamento mestre Raul, mas não há que se tentar outra vez, não há que se levantar a cabeça, nem tampouco, recomeçar a andar. Porque simplesmente ainda não terminou. Não existe mais fim.

23.5.07

Maldito Chico

MALDITO CHICO

Na garoa fina de uma noite fria,
em que a lua escondia seu brilho
e o minuano soprava valente...


a um velho taura estendeu-se uma mão,
para um falso abraço de um falso amigo,
um tal de Chico, que fez do velho, sangrar o coração.

Maldito Chico, que à traição
manchou de rubro o chão da noite,
sem piedade, nem compaixão.

E eu, um guri, na escuridão,
mirando a lua, me perguntava,
por qual motivo, por que razão.

Mas en las missiones de São Sepé,
em que a falsidade não se cria
e tem valor a valentia, a coragem e a rebeldia
de viver sem ter senhor...

o tempo corre com o vento
e o mundo gira no mesmo lugar,
a tristeza fixa o pensamento
até a vingança encontrar...

e o maldito agora chora
a garganta aberta e o sangue quente
na prata fria da minha espora...

temendo a morte, Velha Senhora,
que do covarde não leva a alma
e deixa o corpo apodrecer campo afora.


Cesar Boufleur

12.9.06

CARTA DE AGRADECIMENTO

Meu muito obrigado, calamaro...

ainda que tenhas o cintilante lume da estrela apagado,
a foice e o martelo perdido em memórias do meu passado...

Meu muito obrigado, calamaro...

ainda que tenhas minha esperança em lama afogado,
e feito do vermelho um singelo recuerdo do êmulo colorado...

Meu muito obrigado, calamaro...

a ti e aos teus fedegosos ministros de estado,
aos teus hematófagos senadores e aos nem tão caros deputados...

Meu muito obrigado, calamaro...

pela certeza de hoje saber que homens serão sempre homens,
e que porcos também serão homens com o poder ao seu lado...

Por isso calamaro, meu muito obrigado.


Cesar Boufleur.


Comentário Pessoal: Inspirado na obra "A Revolução dos Bichos" de George Orwell e nos noticiários políticos hodiernos, que ensinam o que já deveríamos saber... não importa a cor da bandeira, não importa a origem do indivíduo, não importa o nome do exército, são todos psicologicamente pré-dispostos a enganar, persuadir, manipular, dissimular. Isso faz parte da personalidade deste ser, o "político". É um sujeito doente psicologicamente, com graves distúrbios de personalidade e sem perspectivas de tratamento, e são eles quem comandam, quem nos comandam. Nós, pessoas "normais" que escolhemos nossos pastores. A demência da nossa sociedade nos impinge a escolha destes doentes manipuladeres. A ordem é o caos. Antes a Igreja, agora o Manicômio. E no futuro, o que será? Os macacos ou os porcos?



26.4.05

Conto de uma noite de alegria

Conto de uma noite de alegria

Era uma noite como outra qualquer,
para celebrar frustrações, idéias insanas
e o prazer etílico de transformar todas em linda mulher!

Mas o santo acaso fez surgir em minha frente
a figura de um anjo celestial de pujante beleza inocente,
e meu mundo prostrou-se, com meu coração disparando pungente!

A luz do mais preeminente lume, já não rutilava mais;
a música, como em um silêncio fúnebre, não se ouvia mais;
da loucura, frente aquele sorrir, eu não escaparia jamais!

Aturdido pelo inefável talante em minha mente,
de amar assaz as flores daquele corpo, paulatinamente...
eu, sem qualquer temperança, balbuciei desvairadamente:

“...moça sua bolsa caiu”
e o mundo para mim então sorriu...

"Delirium Tremens"

''Delirium tremens”

Quero um etílico para envenenar o corpo,
amolecer a alma e preparar a carne
para este último e sublime prazer.
Quero sentir o suor gélido ouriçar os pêlos,
cegar a torpe lucidez, esquecer o tempo
e a angústia da rotina do viver.
Quero embriagar meus pensamentos insanos!
Quero a hebetude dos sentimentos humanos!
Quero meu mundo em uma garrafa, para poder beber
até que todo lume desta triste vida se vá, pela escuridão a se perder...

...quero morrer bebendo, porque é melhor do que morrer de sede...

15.4.05

Amor Paradoxal

AMOR PARADOXAL
Tinha o amor como ato egoísta,
agora, absorto em voraz sensação
e sem nenhum desiderato machista,
vejo-me prostrado por mais uma paixão.

Uma simbiose sublime:
em um só corpo, dois corações;
e o meu amar que a nenhum suprime,
só se regozija do júbilo destas emoções.

Triangular amor paradoxal,
sem hipocrisia ou sequer traição,
que se explica no fruto do amor carnal:
a vida surgindo no etéreo ato da concepção.
por Cesar Boufleur.
COMENTÁRIO PESSOAL:
Esta poesia tem como fonte de inspiração meu rebento que está por vir, mais precisamente o momento em que pude ouvir o seu coração bater dentro do útero de minha mulher. Sensacional.

14.3.05

WHO AM I?

WHO AM I
Crossing your eyes
intro in your conscience
taking all your secrets with me
In your mind
discovering all your fears
and the answers to so many tears

I’m your worst
I’m your best
I’m all your future
your present and your past.
I’m your truth
I’m your lie
I’m who decide
if you live, if you die.

In the hole in your soul
I invade and go
filling your heart of hope
In your brain
I construct my domain
and nevermore you’ll be the same.
COMENTÁRIO PESSOAL:
Mais uma canção não musicada. A cocaína como expressão do poder. Uma força inconsciente e extremamente voraz, em uma estrutura de dominação, transformação, manipulação. Um paralelo entre o uso e a dependência. Quanto mais se tem, mais se quer, mais se precisa (muito semelhante com o nosso sistema econômico, engraçado não?). Segue a tradução em vernáculo:
Cruzando seus olhos,
entrando em sua consciência,
levando todos os seus segredos comigo.
Em sua mente,
descobrindo todos os seus medos
e as respostas para tantas lágrimas.
Eu sou seu melhor, eu sou seu pior,
eu sou todo o seu futuro, seu presente e seu passado.
Eu sou sua verdade, eu sou sua mentira,
sou eu quem decide se você vive ou se você morre.
No vazio de sua alma (é melhor que ‘no buraco em sua alma’)
eu penetro e vou..
enchendo seu coração de esperança.
Em seu cérebro
eu construo meu domínio
e você nunca mais será o mesmo.
1. O sujeito diante do pó misticamente branco, em uma simetria diabólica, vê ali o início e o fim, o nascer e o morrer (crossing your eyes – cruzando seus olhos). Aspira, e a cocaína entra queimando suas narinas, arranhando sua garganta e como a lâmina de uma espada medieval dilacerando a carne humana, abre um corte no cérebro (intro in your conscience – entrando em usa consciência), decepando a censura e libertando a palavra, que foge desesperadamente pela boca, clamando por socorro, implorando, inconsciente, que outrem cesse a matança do pensar infeliz (taking all your secrets with me – levando todos os seus segredo comigo). Iniciou-se o domínio. A cocaína no cérebro (in your mind – em sua mente), como uma bomba nuclear, explode em sensações e vai contaminando, possuindo (discovering all your fears and the answers to so many tears – descobrindo todos os seus medos e as respostas para tantas lágrimas).
2. A guerra. A batalha entre invasor e invadido, um defende e outro destrói. A cocaína como o bárbaro sanguinário que invade casas, comete saques, estupra mulheres, decapita crianças, esmaga bebês. O novo rei, o novo déspota, o novo império. É quem passará a decidir os destinos da sua vida, sem nunca estar presente em sua vida antes. Mas isso não importa, é a nova ordem, o que antes existia agora não existe mais, queimaram-se todos os livros, destruíram-se todos os quadros, apagaram-se todos os registros, é a nova ordem, a nova verdade.(I’m your worst, I’m your best I’m all your present, your future and your past – eu sou seu pior, eu sou seu melhor, eu sou todo seu presente, seu passado e seu futuro). A cocaína tornou-se o juízo de valor. Ela acusa, ela julga, ela condena (I’m your truth, I’m your lie, I’m who decide if you live, if you die – eu sou sua verdade, eu sou sua mentira, sou eu quem decide se você vive ou se você morre).
3. Está consolidado o novo domínio, não existe mais resistência, não existe mais luta. Apenas escravidão. A total submissão mental comprada por prazeres fugazes não permite a revolta do corpo doente. Numa mente de idéias vazias a cocaína penetra profundamente (in the hole, in your soul – no vazio de sua alma), como a religião perniciosa dos profetas cristãos, vai destruindo a história do indivíduo, manipulando os fatos de sua vida e incutindo novos conceitos de valores (I invade an go... filling your heart of hope – eu penetro e vou, enchendo seu coração de esperança), totalmente deturpados, falsos, mentirosos e insanos. O cérebro foi reconstruído com ideais falsos onde a mentira prolifera e contamina. Cocaína e religião (simples coincidência?). O fim chegou, num caminho sem volta em que o ser mundano segue marchando para a morte do pensar, do viver, do sorrir, do amar (In your brain I construct my domain and nevermore you’ll be the same – em seu cérebro eu construo meu domínio e nunca mais você será o mesmo).

3.1.05

PATRÃO

Patrão

Eu sou teu diabo,
também sou teu deus,
teus sentimentos agora são meus.

Eu tenho você,
teu ódio e teu amor,
tu és meu escravo, eu teu Senhor.

Este é o rito,
venha e te prostras!
Nenhuma lágrima, nenhum grito,
quando meu relho cortar tuas costas.

Apenas sorria
e agradeça de coração,
por morrer um pouco a cada dia
e enriquecer cada vez mais o bolso deste teu patrão.

13.10.04

Ouviram do Ipiranga - recuerdos de um dia sete...

Ouviram do Ipiranga – recuerdos de um dia sete...

Na manhã de um fúlgido dia, com o sol pujante e voraz,
mirando os verdes campos da paisagem ainda adormecida,
o calor incessante dirimido pelo sumo do lúpulo álgido assaz...

A pândega incoada pelos decibéis distorcidos conforme a tradição,
irrompeu o silêncio dos páramos e encetou o culto a ebrietude
pela ínclita casta que deveras o fez com obfirmada devoção...

Envoltos na cálida contenda pela pelota, sem olvidar
o refrigério etílico recôndito nas sombras da bela figueira,
e o churrasco que alhures ardia na brasa e perfumava o ar...

Na ímpia miscelânea de fatos, celebramos o preito à consumpção,
e mormente o amor, a amizade e o júbilo da suave hebetude,
que de chofre elevou minha pobre alma à sublimação!
por Cesar Boufleur.
COMENTÁRIO PESSOAL:
A “tradução” do texto é esta:
Na manhã de um dia claro, com um sol forte e voraz,
olhando os verdes campos da paisagem ainda adormecida,
o calor incessante suprimido pelo chopp gelado por demais...

A festa começou com os decibéis distorcidos conforme a tradição,
irrompeu o silêncio das planícies e deu início ao culto a bebedeira
pela ilustre turma que realmente o fez com grande devoção...

Envolvidos na ardente disputa pela bola, sem esquecer
A bebida descansando nas sombras da bela figueira,
e o churrasco que logo ali queimava na brasa e perfumava o ar...

Na herege mistura dos fatos, celebramos o aniversário,
e sobretudo o amor, a amizade e a alegria do suave entorpecimento,
que subitamente elevou minha pobre alma à sublimação!

O texto resgata os momentos da festa realizada no dia 07/09/2004.
Chegar no lugar e olhar a natureza silenciosa de uma manhã muito quente, beber um choppinho gelado e refrescante com os amigos, envoltos pelos acordes dissonantes do heavy metal no regozijo da celebração da vida, que na visão demente de quem vos escreve é sim uma celebração da morte, por morrer-se um pouco a cada dia. O futebol ao léu, sob o sol escaldante no azul do céu, remediado pelo chopp sacro-santo ao lado do campo e o churras por demais saboroso, cujo perfume criava uma aura mágica sob aquele habitat. Depois ainda teve a bocha, o chopp, o vôlei, o chopp e no final de tudo mais chopp! Tudo isso, para mim, foi sinônimo de viver...(?)

Canto dos Livres

Esta é a letra de uma música que traz no seu âmago o ideal missioneiro. De autoria de Cenair Maicá, traz o sentimento que, desde os tempos do índio Sepé até hodiernamente, ainda perdura na alma de todo xirú nascido nos páramos dos Sete Povos. É uma ode ao canto, à vida. Uma toada clamando liberdade...

O Canto dos Livres

Se o meu destino é cantar, eu canto.
Meu mundo é mais que chorar, não choro.
A vida é mais do que pranto,
é um sonho com matizes sonoros.

Hay os que cantam desditas de amores,
por conveniência agradando senhores.
Mas os que vivem a cantar sem patrão,
tocam nas cordas do seu coração.

Quem canta refresca a alma,
cantar adoça o viver
Assim eu vivo cantando,
para aliviar meu padecer.

Quisera um dia cantar com o povo,
um canto simples de amor e verdade.
Que não falasse em miséria, nem guerra
e nem precisasse clamar: liberdade!

No cantar de quem é livre,
hay melodia de paz,
horizontes de ternura,
nesta poesia de andar.

Quisera ter a alegria dos pássaros,
na sinfonia do alvorecer
e cantar para anunciar quando vem chuva
e avisar que já vai anoitecer.

E ao chegar a primavera com as flores,
cantar um hino de paz e beleza,
longe da prisão dos homens e da fome,
pra nunca cantar tristeza...

por Cenair Maicá.

Crônica ao meu amigo Tavares


Meu caro amigo. Prosa. Poesia. Poema. O que importa? Qual a métrica, qual a rima, qual a melhor estética? O que importa? Porque nos limitar a regras? Já não são tantas as que nos cerceiam? Perguntas que não precisam respostas, cada indivíduo deve construir a sua própria idiossincrasia, sem ser casuístico. A minha, no que se refere aos textos, é a de construir um jogo de palavras a fim de expressar alguma idéia, mesmo que seja a idéia de coisa nenhuma.
Devemos objurgar os circunlóquios adredemente aqui discreteados? Perscrutar no Aurélio a loquacidade supra é o desiderato, sem fulcrar-se na jactância ou pedantismo, mas com o mister de acabar com a indolência e o trivial que contamina nossas cabeças. Este é o escopo. Ou como preferes, este é o desejo, esta é a intenção. Eis o porque escrever deveras e não realmente, tálamo e não leito, talante e não desejo, e andejo ao invés de andarilho. Não quero apenas enfeitar a estrofe, ou será refrão? Talvez estribilho? Quero o pensar, o pesquisar, o conhecer. Quero a liberdade de escrever como bem entender, sem ser pautado por regras que não me dizem nada. Escrever de forma “simples” quando quiser e de forma “culta” quando me convir. Não posso concordar que só o simples é belo. Não por achar prosaico, mas pelo paradoxo da escrita e da própria vida. Afinal, o que é “simples”? E o que é “culto”? Como bem falei, depende da idiossincrasia de cada um, ou como queira, a maneira de cada um de ver as coisas. É o nosso cotidiano que determinará se a palavra é “culta” ou “simples”, e o que não é o cotidiano se não o exercício diário de alguma coisa? Não quero parecer pretensioso, nem mesmo culto, quero apenas expressar as coisas com palavras que me dizem alguma coisa (é uma redundância, mas tá e daí?).
Mas não é só isso, é mais. Precisa também ter uma idéia. Precisa também ter uma estética. Uma estética visual. Uma estética verbal. Da idéia deve surgir, latente (oculto), sentimentos. Precisa tocar o coração, desperta na alma a emoção, a paixão, o amor, ou ainda a raiva, o ódio, o rancor. A indiferença é a morte, precisa causar indignação, precisa encetar alguma sensação. Por isso meu caro amigo, deixe-me escrever... E tenho dito!
E pra homenagear esta crônica, segue supra dois textículos (eheheh...).
por Cesar Boufleur.

5.10.04

O FUNERAL

FUNERAL

Por favor, sorria
e abra os olhos para mim.
Teu caixão me agoniza,
é doloroso te ver assim.
Continuas linda,
apesar de teres chegado ao fim.
Eu te quero ainda,
mesmo coberta por rosas e jasmins.

Sorria... sorria...
Adeus tristeza,
somente alegria...

Agora, levante-se
e o passado vamos esquecer.
Uma nova vida, sem dor,
somente amor e prazer.
Por favor, volte
e acabe com meu sofrer.
Eu te prometo uma melhor sorte,
a morte, dessa vez vamos vencer.
por Cesar Boufleur.
COMENTÁRIO PESSOAL:
Veja a morte. Não a simples morte, mas o pior da morte, a morte do amor. Quem ama sozinho, não ama, sofre. E a morte de quem se ama é a transformação do amor em sofrer. Isso é o pior da morte. Você não ama mais, agora sofre.
Se a morte é cruel, pior é vivê-la. Ao morrer quem você ama, você passa a viver essa morte. A transformação do júbilo do amor na tristeza do sofrer.

27.9.04

O ANDEJO

O Andejo

Ruas e becos, buracos e afins,
todos eles nesta cidade
tem partes de mim.
Noites e dias vagando a esmo,
discreteando vaticínios,
escarnecendo a mim mesmo.
Minha infausta razão, próxima do fim,
implora: por favor sorria,
e afaste a loucura de mim!
A guarida de um beijo
e mormente um abraço pujante,
é o talante deste simplório andejo.

por Cesar Boufleur.

COMENTÁRIO PESSOAL: Solidão e loucura. Um andarilho em busca de compaixão, desesperado, delirante e carente. A tristeza que envolve a solidão, transforma a raiva de viver em recalque, ódio e rejeição. A solidão de uma mesa de bar em que a única companhia é o copo estático, mudo e compreensivo. A retina fixa mirando a magnitude feminina, cega, indiferente e soberana. A infinita capacidade de amar frente à vontade insana de ser amado. O desejo de receber amor, qualquer amor, de qualquer um, um mínimo de carinho, um afago, um abraço, um sorriso, um olhar. A solidão que se transforma em loucura.

22.9.04

Mr. Dead

Mr. Dead
Hey!!! Mr. Dead, you know what I see?
I see a fucken hole in your head,
gushing blood over your hair
and flies dancing in your mouth.
Tell me what you see... what is you belive?

Hey!!! Mr. Dead, you know what I see?
I see your body in a dirty grave,
your kids crying, a wreath of flowers
and your soul in an empty place.
Tell me what you see... what is you belive?

No God, no Lord or Jesus Christh.
No Heaven, no Promissed Land or Paradise.

Welcome to the unknow, to the eternal nothing,
withtout light, without colors, without life,
where the feelings don't survive
and the human being is only meat,
covered of worms six feets...
under!!!
by Cesar Boufleur.
COMENTÁRIO PESSOAL:
Esta é uma letra de uma música não musicada, criada nos idos tempos em que me aventurava pelas melodias dissonantes do heavy metal. Trata-se de uma heresia construída na descrença de um ateu niilista e agnóstico, extravasando conceitos particulares sobre os vaticínios quiméricos do cristianismo. O augúrio, em vernáculo, traduz-se mais ou menos assim:

“Ei! Sr. Morto, você sabe o que eu vejo? Eu vejo um grande buraco em sua cabeça, jorrando sangue sobre seus cabelos e moscas dançando em sua boca. Me diga o que você vê... é o que você acreditava?
Ei! Sr. Morto, você sabe o que eu vejo? Eu vejo seu corpo em uma tumba imunda, suas crianças chorando, uma coroa de flores e sua alma em um lugar vazio. Me diga o que você vê... é o que você acreditava?
Sem Deus, sem Senhor, sem Jesus Cristo.
Sem Céu, sem Terra Prometida, sem Paraíso.
Seja bem vindo ao desconhecido, ao eterno nada, sem luzes, sem cores, sem vida; onde os sentimentos não sobrevivem e o ser humano é apenas carne coberta de vermes sete palmos abaixo da terra!”

Denota-se heresia nos circunlóquios, e esta é a idéia. A morte é o fim. Não tem alma. Não tem céu. Não tem Deus. Apenas a transformação da carne humana em adubo orgânico. Morreu, literalmente, fedeu. A vontade do ser humana em alcançar a vida eterna é mais um devaneio de sua natureza egoísta. O homem é egoísta por natureza. E isso por si só explica sua necessidade de criar a vida eterna, mesmo diante da maior certeza do fim de tudo, a morte.